A Estação Show é
um lugarzinho bem acolhedor, sabem? Apesar do diminuto tamanho e da ventilação
que deixa desejar, eu estava com a impressão que o dia seria extremamente
agradável e que eu seria surpreendido.
E fui.
Logo de cara a
surpresa foi o pouco público. Havia realmente pouca gente dentro da casa. Logo
pensei que isso fosse atrapalhar. E aí, para complicar mais as coisas, a banda
Metheora não pode comparecer ao evento graças a uma mudança de última hora em
sua formação. Tinha tudo para dar errado. Tudo.
A primeira banda
da noite foi a Nardo, que toca New
Metal com temáticas cristãs, e que me surpreendeu do início ao fim. Primeira
surpresa da banda foi a vocalista, Rafaela. A carinha de menininha que ela tem
esconde toda uma pressão na voz de dar inveja! Os screams, agudinhos, guturais
e drives todos muito bem colocados, sem contar a presença de palco da garota. A
segunda surpresa fica por conta do som da banda. Apesar de se classificarem
como New Metal, notei diversas influências de outros estilos, como Thrash e Power,
com canções bem pesadas! A terceira surpresa fica por conta das palavras que o
baixista que divulgou sua crença sem forçar religião goela a baixo. Apesar do
pouco público presente nessa hora a banda conseguiu colocar a galera lá no alto
com um som único. As três surpresas transformaram o show da Nardo (que confesso que cheguei todo
cheio de preconceitos) num excelente show!
Pausa para o
banheiro, água e cerveja.
E a próxima
banda já estava no palco. O Insannica
já abria o show com um baita climão, com uma música de fundo só para introduzir
a banda, que saiu atacando tudo com um Thrash/Death Metal bem forte.
Infelizmente, algumas microfonias atrapalharam o som da banda um pouco. Mas
ainda assim, o show da Insannica
rolou sem maiores problemas. O grupo mostrou MUITA garra e energia no palco,
com uma presença impressionante e uma performance surpreendente. Isso sem
contar os diversos Mosh Pits que a banda abria o tempo inteiro. Até eu participei!
Quando “Demons in My Head” (faixa do
EP deles, resenhado aqui no Metal Justice) tocou, o Estação Show parou para
fazer um grande mosh e bangs sincronizados. A banda fechou ao som de “Polícia”,
que originalmente é do Titãs, mas na versão cover do Sepultura. Sem surpresa
alguma, a galera bateu cabeça até dizer chega. Apresentação excelente! Certeza
que a banda vai MUITO para frente.
Pausa para
respirar e para tomar outra garrafa d’água.
Não é a toa que
os caras foram o destaque da semana aqui no Metal Justice. Extremamente
profissionais e excelentes em palco, a banda chegou à caráter: cada um dos
membros exibia uma espécie de pintura de guerra no maior estilo Turisas e o vocalista, Daniel
Vasconcelos, subiu literalmente armado, munido de armadura de couro, uma adaga
e uma espada. Cantando como um verdadeiro artista.
Fora o clima
total de Power Metal que a banda jogou em cima da galera, os caras da Fearless mostraram um desempenho digna
de cair o queixo. Apresentação muito boa, intercalando entre repertório próprio
(“War of Ages” e “Prayer of the Kings”,
com seus refrãos fáceis de acompanhar fizeram sucesso) e excelente covers como “Eagle Fly Free” do Helloween e a “Emerald Sword”
da banda Rhapsody (of Fire). A banda
tocou inclusive a famigerada “Through the
Fire and Flames” (Dragonforce) e confesso que foi bem na
medida, mas alguns probleminhas técnicos impediram uma execução excelente da
música. A banda saiu de palco com uma apresentação fantástica e eu com a
certeza que a cena Metal de Juiz de Fora tem – e deve – que crescer.
Outra pausa.
Dessa vez mais curta. O que vem a seguir foram fortes momentos de banging,
moshs e muitos riffs fodas.
O pessoal da Desangre já chegou arrebentando tudo na
Estação Show, com um som mezzo Death Metal, mezzo Grindcore (com umas pitadinhas de Hardcore) bem contundente. O
som pesadíssimo da banda (com um baixo bem incisivo, muito bem colocado). Logo
de cara, na primeira música, a banda já abriu diversos moshpits. Fiquei
impressionado como o vocalista, Yuri Nunes, é performático. Começou bem
modesto com alguns dives, de leve. Foi então a hora que desceu do palco e
começou a cantar no nível da galera, ou melhor, com a galera. E como se isso
não fosse o bastante, ele abriu e participou de vários moshpits. A Desangre mostrou bastante versatilidade
dentro do seu estilo, tocando músicas mais cadenciadas e outras bastante
velozes. Outro show muito bom.
Por fim, o
pessoa da banda Kymera, que jájá tá
lançando EP (e que o Metal Justice terá o prazer de resenhar), sobe no palco
com a galera já quente do show da Desangre,
mostrando um Death/Grindcore bem furioso. Estourando com tudo lá dentro, a
banda levantou a galera, mesmo cansada, abrindo moshpits LITERALMENTE o tempo
inteiro. A banda agitou bastante mostrando composições próprias bem fortes, com
os bumbos duplos do Sebá, o batera, parecendo um batalhão inteiro de
metralhadoras atirando sem parar e os excelentes screams e guturais do Vocal.
Saí da casa de
shows com a certeza de que a cena Rock e do Metal em Juiz de Fora está ficando
cada vez mais forte e unida, como uma corrente de puro aço. Saí com a certeza
também que o pouco público presente não afetou em NADA o festival. Parabéns à turma organizadora e às bandas pelo EXCELENTE evento! Até o próximo!
MONSTERS FESTIVAL
Onde: Espaço Show (Juiz de Fora - MG)
Quando: 24 de Março
Por Leon Cleveland









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